O organismo humano é habitat para diversos micro-organismos que, em equilíbrio, não nos fazem mal. É o caso, por exemplo, do fungo Candida albicans, presente na pele. Porém, quando ocorre alguma alteração em nosso sistema imunológico, ele se prolifera exageradamente, causando a candidíase oral.

Ainda é possível contrai-lo de outras pessoas, por meio do beijo ou do contato íntimo desprotegido. Em ambos os casos, se isso acontece na boca, provoca a candidíase oral. Popularmente conhecida como “sapinho”, ela é bastante comum em bebês, mas também pode se manifestar em pessoas de outras faixas etárias, inclusive adultos.

Pensando nisso, preparamos este artigo com o intuito de explicar maiores detalhes sobre essa doença. Continue lendo para descobrir as suas principais causas, sintomas, tratamentos disponíveis e formas de se prevenir!

As causas da candidíase oral

Ainda conhecida como monilíase oral, essa é uma infecção que afeta a orofaringe. Embora comumente causada pelo fungo Candida albicans, ela também pode ser provocada por outras espécies, como o Candida glabrata, o Candida lusitaniae e o Candida krusei.

Como dissemos, esses microrganismos podem sobreviver sem problemas em nosso organismo, compondo sua microbiota natural. Em situações normais, o sistema imunológico humano é capaz de controlar a colonização desses fungos, assim como de outras bactérias. Quando, no entanto, a pessoa está sob algumas condições específicas ou acontece algo que resulta na queda do seu sistema imunológico, a candidíase oral pode se manifestar.

Vejamos, a seguir, alguns fatores que aumentam esse risco de proliferação do fungo.

Faixa etária

Crianças no primeiro ano de vida e pessoas idosas têm um organismo sensível. Por isso, estão mais suscetíveis à proliferação exagerada do fungo causador da candidíase oral.

Descuido com a higiene bucal

Quando a higiene bucal não é realizada da forma adequada, os resíduos de alimentos estimulam a proliferação de bactérias, desestabilizando o pH da boca e deixando a região suscetível ao ataque de outros microrganismos, como o Candida.

Tratamentos e medicamentos

Tratamentos mais agressivos, como a quimioterapia ou a radioterapia, causam a queda da imunidade orgânica. O uso de medicamentos como antibióticos e corticosteroides provoca o mesmo efeito, deixando o organismo mais sensível aos fungos.

Algumas condições de saúde

Pacientes com determinadas condições de saúde, como os soropositivos para HIV, portadores de diabetes mal controlada e desnutrição também têm o organismo mais suscetível à proliferação do Candida albicans, bem como de outros micro-organismos.

Tabagismo

As toxinas presentes no tabaco afetam toda a saúde bucal e orgânica, provocando alterações que causam vários problemas, inclusive a candidíase oral.

Além dessas, ainda outras condições podem ser citadas como fatores de risco para esse problema:

É importante ressaltar, no entanto, que qualquer pessoa pode apresentar um quadro de candidíase oral. Afinal, como sua principal causa é a baixa da imunidade orgânica, até mesmo um quadro de estresse deixa o indivíduo suscetível a esse problema.

Os sintomas da candidíase oral

A doença pode ser facilmente identificada por desencadear sintomas característicos. Eles se manifestam na língua, na parte interna das bochechas, nas amígdalas, no palato e na garganta:

  • placas esbranquiçadas na parte interna da boca, que se soltam com contato;
  • gosto ruim na boca;
  • alterações ou falta de paladar;
  • vermelhidão na mucosa bucal;
  • fissuras na boca;
  • mau hálito;
  • sensação de ardência
  • feridas ulcerosas.

Quando ainda no começo ou no caso de lesões de baixa gravidade, esses sintomas são bem sutis e, muitas vezes, não se manifestam. Se não houver tratamento, contudo, o quadro tem a tendência de evoluir, e as manifestações se tornam cada vez mais evidentes. Quando se agravam muito, as lesões atingem a laringe e o esôfago, causando dor, dificuldade para engolir e rouquidão.

Nos casos em que ocorrem em bebês, os pais precisam estar ainda mais atentos aos sintomas iniciais. Isso porque não é raro que as placas esbranquiçadas formadas pela candidíase oral sejam confundidas com restos de leite. Para diferenciá-los das lesões, basta observar com cautela, pois o leite desaparece espontaneamente, enquanto a placa da candidíase fica aderida à mucosa bucal e, se retirada, causa sangramentos e deixa feridas.

Os tratamentos disponíveis

O tratamento da candidíase oral é considerado simples e feito por meio de medicamentos tópicos ou orais. São utilizados antifúngicos na forma de líquido, gel ou enxaguante bucal, para crianças e adultos.

Nos casos em que as lesões ainda estão leves ou moderadas, a utilização de medicamentos tópicos é suficiente para controlar a colonização do fungo. Já para aqueles em que os sintomas estão mais avançados, é preciso também a ingestão da substância.

Durante essa fase de tratamento ainda é importante ter alguns cuidados, como manter a higienização bucal sempre bem-feita, lavar a boca após a ingestão de outros medicamentos na apresentação líquida e evitar alimentos açucarados ou muito gordurosos, pois estimulam a proliferação do micro-organismo.

Outro fator importante é buscar medidas para melhorar as condições imunológicas do paciente. Afinal, o Candida albicans é oportunista, então, é preciso alterar o ambiente para que ele não encontre mais condições de se proliferar. Para reequilibrar o organismo, pode ser necessário a ingestão de suplementos vitamínicos, alterações no cardápio, substituição de medicamentos ou a eliminação de fatores estressantes. Tudo dependerá daquilo que está causando a baixa da imunidade.

Vale lembrar, por fim, que é fundamental não se automedicar nem utilizar métodos caseiros, pois eles podem acabar agravando a lesão provocada pelo fungo. Se perceber algum dos sintomas, procure um dentista ou médico.

Dicas de prevenção para candidíase oral

Como a candidíase oral se aproveita da baixa da imunidade orgânica e das más condições de higiene para se manifestar, os cuidados preventivos envolvem evitar essas duas condições. Sendo assim, é importante:

  • escovar os dentes, pelo menos, duas vezes ao dia;
  • se não for possível higienizar a boca, enxágue-a após ingerir alimentos ou bebidas;
  • fazer a escovação da língua e usar o fio dental;
  • higienizar muito bem próteses e aparelhos ortodônticos;
  • consultar-se com um dentista a cada seis meses;
  • evitar o uso excessivo de enxaguante bucal;
  • manter a boa higiene dos aparelhos inaladores;
  • higienizar a boca após a inalação com substâncias corticosteroides;
  • controlar condições como o diabetes;
  • manter um cardápio nutritivo;
  • evitar o cigarro;
  • combater a baixa imunidade.

Enfim, a candidíase oral é um problema que pode incomodar bastante e tende a se agravar rapidamente. Por isso, faça a devida prevenção em casa e visite um dentista regularmente. E, ao perceber qualquer sintoma desse ou outros problemas, não se esqueça: procure um especialista, evitando a automedicação para não gerar complicações.

Gostou no nosso post? Aproveite para aprender ainda mais sobre cuidados com a saúde bucal e confira também qual é o melhor tratamento para reabilitação oral: restauração ou implante?

Abraços!

Dr. Fausto Côrtes Isaac – Ortodontista USP – CRO GO 6430