Durante a gravidez, surgem muitas preocupações relacionadas à evolução da gestação, à saúde do bebê e ao momento do parto. Apesar disso, é muito importante que a mulher não se descuide da saúde bucal nesse momento, garantindo não só um sorriso bonito como também uma gestação mais tranquila e saudável.

Quer descobrir mais sobre a relação entre doenças bucais e gestação, como cuidar da sua saúde bucal ao longo dos 9 meses e quando os procedimentos podem ser realizados sem colocar o bebê em risco? Confira!

Existe alguma relação entre a saúde bucal da gestante e a do bebê?

Por mais estranho que pareça, essa relação existe e pode fazer toda a diferença na saúde do bebê. Alguns estudos já demonstraram uma associação entre doenças gengivais, parto prematuro e o nascimento de um bebê de baixo peso, por exemplo.

Estima-se que o risco do bebê nascer de baixo peso é 7,5 vezes maior em mães com periodontite quando comparado com mães sem periodontite. O impacto dessa doença bucal é tão grande que chega a ser maior do que o efeito do tabagismo ou do abuso de álcool sobre o peso do bebê.

Já em relação à prematuridade, alguns dados nos Estados Unidos já mostraram que as doenças nas gengivas podem ser responsáveis por cerca de 18% dos partos prematuros, o que aumenta o risco do bebê necessitar de atendimento médico intensivo ou, até mesmo, de ir a óbito.

Por que isso ocorre?

Apesar de a explicação por trás desse fenômeno não estar ainda muito clara, acredita-se que a gengivite e outras doenças bucais aumentem a quantidade de substâncias inflamatórias em circulação no corpo, prejudicando o desenvolvimento do bebê e estimulando contrações uterinas.

Como evitar esse tipo de problema?

A melhor forma de garantir que a sua saúde bucal não interferirá na sua gestação é visitando o dentista antes mesmo da gravidez. Isso permite que o profissional realize um check-up completo na sua boca e trate qualquer problema antes da gestação ter início.

Se a gravidez veio de surpresa, agende uma consulta com o dentista logo após a sua confirmação para planejar o melhor momento para realização dos tratamentos odontológicos.

De qualquer forma, durante a gravidez, os hormônios alteram o funcionamento da boca materna e demandam a adoção de cuidados extras.

Como a gravidez afeta a saúde bucal?

Tanto as alterações hormonais quanto as mudanças nos hábitos de vida da grávida aumentam a chance de várias doenças bucais.

Os altos níveis de estrogênio e progesterona da gravidez ampliam a permeabilidade vascular por todo o corpo, provocando um edema nos tecidos periodontais mesmo na ausência de placa bacteriana. O resultado dessa alteração é chamado de gengivite gravídica, uma gengivite crônica durante toda a gestação que aumenta o nível de inflamação do organismo e a chance de sangramento gengival. 

Os hormônios também deixam os ligamentos periodontais mais frouxos, fazendo com que os dentes fiquem mais soltos e mais propensos à queda. Também tornam a saliva mais viscosa, deixando a boca mais seca.

Se a gestante apresentar ainda os terríveis enjoos matinais, a acidez do líquido estomacal pode corroer os dentes, provocando um processo de desmineralização e deixando-os mais susceptíveis a cáries.

Alguns estudos afirmam que as bactérias bucais poderiam alcançar a placenta e o bebê por meio da circulação sanguínea, colonizando o bebê antes mesmo do nascimento. Se a gestante tem uma infecção bucal, o bebê ficaria, então, em risco de se infectar com a mesma bactéria patogênica.

Todas mulheres sofrem essas alterações?

Não, nem todas, mas essas mudanças são comuns durante a gestação e é importante que a futura mamãe e o dentista fiquem atentos a elas.

Como cuidar da saúde bucal na gestação?

O capricho na higiene bucal deve ser uma das maiores prioridades da gestante. A escovação deve ser feita após cada refeição com creme dental de sabores suaves para reduzir o risco de enjoos e o uso do fio dental pode ser feito tanto antes quanto depois da escovação para garantir uma limpeza completa.

Para reduzir a desmineralização provocada pelo ácido estomacal, é recomendado que a gestante enxágue a boca com água ou enxaguante bucal com flúor após episódios de vômitos ou de náuseas intensas.

Se o problema for a boca seca, o segredo é beber bastante água (algo que já é recomendado às grávidas para a prevenção da desidratação) e mascar gomas para aumentar a produção de saliva. Para que esse novo hábito não aumente a incidência de cáries, no entanto, as gestantes devem optar sempre por produtos sem açúcar.

Como o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascimento é diretamente proporcional à severidade da doença periodontal, o mais importante é que a gestante tenha um bom acompanhamento odontológico para evitar que as doenças bucais se agravem.

Quando a grávida pode realizar tratamentos odontológicos?

O ideal é que os tratamentos mais invasivos sejam feitos antes da gestação para não correr o risco da anestesia ou de bactérias bucais alcançarem o bebê. Mas, se isso não for possível, a gestante pode agendar os procedimentos para o segundo trimestre de gestação, uma época que o bebê já tem seus órgãos formados, está mais resistente a fatores externos e a chance de a gestante entrar em trabalho de parto é bem pequena.

Quais os mitos relacionados à saúde bucal na gestação?

Alguns mitos associados à saúde bucal na gestação já se espalharam pela sociedade e costumam deixar as futuras mamães ainda mais ansiosas:

1. Os dentes da mulher perdem cálcio para que os dentes do bebê sejam formados

O cálcio usado na formação dos dentes e dos ossos do bebê são oriundos da alimentação da grávida e não da estrutura dentária materna.

2. Grávida não pode fazer raio-x dos dentes

A radiação da radiografia realmente pode fazer mal para o bebê, mas, com a proteção adequada da barriga com aventais de chumbo, esse risco é considerado praticamente inexistente, principalmente após o primeiro trimestre de gravidez. Assim, se o dentista achar necessário que a gestante faça um raio-x, não é necessário ter medo do exame.

3. Grávida não pode receber anestesia no dentista

A grávida não pode receber anestesia com substâncias vasoconstritoras, como a adrenalina, mas o uso de anestésicos sem vasoconstritores está liberado. Dessa forma, desde que a mulher informe ao dentista que está grávida, o profissional será capaz de escolher o anestésico correto e garantir a segurança da gestação.

Ainda tem dúvidas sobre como cuidar da saúde bucal na gestação? Deixe um comentário aqui embaixo.