Cada pessoa apresenta características anatômicas diferentes em sua estrutura bucal. Não são apenas o formato, o tamanho e a tonalidade dos dentes que variam de um indivíduo para outro: alguns apresentam singularidades como a língua fissurada.

Você já tinha ouvido falar dessa condição? Na verdade, nem todos a conhecem — e foi para esclarecer alguns pontos importantes sobre o tema que preparamos este artigo, inclusive com o objetivo de instruir melhor quem apresenta tal característica.

Continue a leitura para entender ao certo o que é a língua fissurada, suas causas, os tratamentos disponíveis e o que fazer para preveni-la!

O que é língua fissurada?

A língua tem naturalmente uma superfície homogênea, lisa e sem nenhuma alteração, certo? Na verdade não, pois alguns indivíduos apresentam singularidades no dorso lingual que se caracterizam como sulcos ou rachaduras.

A essa condição, damos o nome de língua fissurada ou escrotal. Trata-se de algo benigno, ou seja, não é uma doença bucal e não precisa ser vista como um problema que traga complicações para os dentes ou tecidos da boca.

Quem tem língua fissurada pode perceber diversos sulcos, semelhantes a cortes que variam em profundidades de dois a seis milímetros. Em algumas pessoas, são poucos; já para outras, o caso é bem mais intenso, a ponto de tais rachaduras formarem pequenas “ilhas” no dorso da língua e a dividirem em diversas partes.

Embora provoque prejuízos para a estética, essas fissuras não desencadeiam nenhum tipo de sintoma na maioria das vezes. Alguns indivíduos relatam uma dor leve ou pequena ardência ao consumir certos tipos de alimentos, como aqueles mais ácidos, porém é uma sensação passageira.

O que causa as rachaduras na língua?

A língua fissurada é uma característica que costuma acompanhar o indivíduo desde o seu nascimento. Ou seja: a criança, ainda bebê, já tem rachaduras na língua, mas a tendência é que se tornem mais proeminentes com o tempo e o avanço da idade.

Não existe um fator específico que determine por que alguns indivíduos nascem com essa característica. De toda forma, acredita-se que questões genéticas estejam envolvidas. Além disso, a condição é mais comum em pessoas portadoras de:

  • Síndrome de Down;
  • Síndrome de Sjögren;
  • Síndrome de Melkersson-Rosenthal;
  • psoríase;
  • acromegalia.

A língua fissurada não é classificada como doença, pois não é causada por micro-organismos como bactérias, vírus ou fungos. Ela também não é transmitida entre pessoas, já que se trata de uma característica natural — assim como ter dentes grandes ou pequenos, lábios fartos ou mais finos.

Além de ser uma condição natural, existem alguns fatores que podem contribuir para casos agudos de língua fissurada. Esse é o caso de problemas como:

  • bruxismo;
  • tabagismo;
  • estresse;
  • ansiedade;
  • alergias alimentares;
  • diabetes;
  • língua geográfica.

Quando o problema decorre das causas acima, é possível minimizá-lo ou até tratá-lo. Isso porque o quadro se manifesta como complicação advinda de desequilíbrios orgânicos, alterações do pH da saliva ou xerostomia (boca seca).

De toda forma, é muito importante procurar a ajuda de um especialista, seja um dentista ou estomatologista. O profissional avaliará cada caso e observará se a língua fissurada é uma característica natural ou provocada por algum fator.

Como tratar a língua fissurada?

Apesar de alguns indivíduos se incomodarem com o aspecto da língua devido às fissuras e rachaduras, não existe um tratamento definitivo para essa condição. Não são indicados medicamentos e tampouco cirurgias para corrigir os espaçamentos.

Isso quando a língua fissurada é uma característica nata da pessoa. Entretanto, caso o quadro decorra de outras condições, é necessário fazer intervenções, com o intuito de eliminar o fator responsável por causar prejuízos a essa estrutura bucal.

Em ambos os casos, é necessário adotar medidas e cuidados com o intuito de não agravar o problema e impedir complicações que possam se manifestar. Isso porque os espaçamentos que se formam na língua podem acumular resíduos de alimentos e desencadear mau hálito, inflamações ou infecções.

A seguir, listamos alguns tratamentos e medidas preventivas para cuidar da língua fissurada, evitando outros problemas oportunistas.

Medicamentos

Os medicamentos são indicados apenas para pessoas que apresentam casos agudos de língua fissurada, em função de reações alérgicas ou desordens psicológicas, por exemplo. Especialistas também recomendam substâncias que ajudem a regular o fluxo salivar ou tratar complicações que já tenham se instalado, como inflamações e infecções.

Alimentação adequada

O consumo excessivo de certos tipos de alimentos, como aqueles muito apimentados, ácidos ou quentes demais, também pode provocar fissuras na língua. No caso de quem apresenta reações alérgicas, isso também acontece, portanto é importante manter uma alimentação equilibrada e adequada às características de cada um.

Abstinência de tabaco

O hábito de fumar pode causar fissuras na língua, pois o tabaco provoca o ressecamento das mucosas bucais. Ele interfere no fluxo salivar e no pH da saliva, alterando as características naturais dos tecidos. Além disso, suas toxinas provocam outras reações orgânicas que desequilibram a saúde bucal.

Controle de doenças subjacentes

Diversas doenças aumentam as chances de ocorrer a língua fissurada, como é o caso do diabetes e da psoríase. Por isso, é fundamental fazer o acompanhamento médico caso haja desequilíbrios orgânicos. Assim o quadro clínico será mantido estável, minimizando as chances de que o problema se manifeste ou impedindo sua evolução.

Higienização adequada

Essa é uma das principais recomendações para quem tem língua fissurada, pois os espaços acumulam resíduos de alimentos. O que acontece é a formação da placa bacteriana — e a consequente proliferação desses microrganismos.

Além de desencadearem inflamações e infecções na língua, as bactérias podem migrar para outras estruturas bucais, como as gengivas. Instalando-se ali, elas provocam a gengivite, que evolui para periodontite.

Mas não é somente isso: os resíduos alimentares entrarão em deterioração na boca, liberando gases de cheiros desagradáveis e que causam o mau hálito. Sendo assim, é fundamental fazer a devida higienização dos dentes e das fissuras da língua após cada refeição.

O ideal é utilizar uma escova com cerdas bem macias, para não causar ferimentos no tecido lingual. De toda forma, peça orientação ao especialista que acompanha seu caso, para que ele recomende a forma correta de higienizar a boca e os melhores produtos.

Como evitar o quadro?

Quando se trata de uma condição hereditária, não há o que fazer para prevenir a língua fissurada, pois o indivíduo já nascerá com essa característica. Mas é possível evitar que as fissuras se formem ao longo da vida.

Isso ocorre por meio da adoção de hábitos saudáveis e uma alimentação equilibrada, evitando os grupos alimentares que possam causar agressões aos tecidos bucais. Além disso, problemas e doenças em geral precisam ser controlados para manter o equilíbrio orgânico.

Embora não seja um quadro grave, a língua fissurada requer o acompanhamento de um especialista para que, com o avanço da idade, as rachaduras não se agravem. No mais, os cuidados com a higiene bucal ajudam a evitar que problemas oportunistas se manifestem. Assim, a pessoa pode conviver com essa característica sem complicações.

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Abraços,

Dr. Fausto Côrtes Isaac – especialista em Ortodontia USP – CROGO 6430