A neuralgia do trigêmeo é famosa por provocar uma das dores mais intensas que existem, mas poucas pessoas realmente entendem o que é essa doença, quais suas causas e os tratamentos disponíveis para o alívio de tanta dor.

Se você quer entender tudo isso e muito mais sobre a neuralgia do trigêmeo, é só continuar lendo o nosso post de hoje!

O que é a neuralgia do trigêmeo?

A neuralgia (ou nevralgia) do trigêmeo é um distúrbio de origem neurológica caracterizado por descargas elétricas incontroláveis nos ramos do quinto par de nervos cranianos — os nervos trigêmeos.

Com cada descarga, o indivíduo sente uma dor súbita e intensa na região inervada por aquele ramo, que melhora após alguns segundos.

Quais as regiões inervadas pelo nervo trigêmeo?

Como os outros nervos cranianos, os nervos trigêmeos existem em par. Cada nervo trigêmeo é responsável pela inervação dos tecidos de um lado da face e se divide em três grandes ramos.

O ramo oftálmico inerva a testa, a pálpebra superior e o dorso do nariz. O ramo maxilar inerva a pálpebra inferior, a bochecha, a asa do nariz e o lábio superior. Já o ramo mandibular é responsável pela inervação da região da têmpora, de parte do ouvido, do lábio inferior e do queixo.

Através dessas ramificações, os nervos trigêmeos são responsáveis pela sensibilidade da pele desses locais, gerando a sensação de dor, tato, calor e pressão.

O que causa a neuralgia do trigêmeo?

Apesar de já ser conhecida e descrita na literatura médica há séculos, a neuralgia do trigêmeo continua sendo um mistério para a ciência. Em 5% dos pacientes, a neuralgia está relacionada a algum tumor benigno, esclerose múltipla ou malformações vasculares que pressionam o nervo trigêmeo, mas, em 95% dos casos, não se encontra qualquer alteração específica.

A principal hipótese, atualmente, é que as dores surgem à medida que os nervos sofrem um processo degenerativo e perdem sua bainha de mielina — uma substância isolante que protege o nervo e aumenta a velocidade da transmissão elétrica.

Sem bainha de mielina, o nervo fica mais sensível a pequenos estímulos e gera descargas elétricas inoportunas, que são interpretadas pelo cérebro como uma dor na forma de fisgada ou choque.

Mas o que causa a perda dessa bainha de proteção?

O principal fator envolvido nesse processo degenerativo é a idade, mas ainda não se sabe por que os nervos trigêmeos são acometidos com tanta frequência e por que os outros nervos do organismo, que também podem sofrer o mesmo processo degenerativo, são poupados e não geram essas descargas elétricas extras.

Alguns desses pacientes até associam o início das crises à realização de um tratamento dentário, algum trauma local ou um golpe de ar frio, mas isso ainda não foi comprovado cientificamente.

Quais os sintomas da neuralgia do trigêmeo?

A neuralgia gera dores muito intensas e súbitas, limitadas à região do ramo do trigêmeo acometido, afetando sempre um lado do rosto e apenas durante a crise. Quem sofre da doença costuma descrever a dor como uma fisgada ou um choque, que dura alguns segundos e incapacita.

Como não é possível controlar o momento da geração das descargas elétricas pelo nervo, as dores podem ocorrer em intervalos variados ao longo dos dias, a cada 10 minutos ou apenas duas vezes por semana, prejudicando a execução de tarefas diárias. O mais comum, no entanto, é que as crises ocorram com intervalo de alguns meses.

Como a neuralgia evolui ao longo dos anos?

Como qualquer doença degenerativa, a neuralgia do trigêmeo tende a piorar com o tempo e provocar sintomas cada vez mais graves. Mesmo quando há períodos longos livres de sintomas, é comum que a dor retorne de forma mais intensa e mais frequente no futuro.

Quem pode ter essa doença?

A maioria das pessoas com neuralgia do trigêmeo apresenta mais de 60 anos, já que a doença está diretamente relacionada a um processo degenerativo do envelhecimento. Mas, podem surgir casos em adolescentes e adultos jovens.

É preciso fazer algum exame para confirmar o diagnóstico?

Geralmente, a descrição das dores já é suficiente para o médico fazer o diagnóstico, mas, caso haja alguma outra alteração neurológica, pode ser necessário realizar algum exame de imagem do crânio.

Além disso, é comum que a dor da neuralgia seja confundida com doenças bucais, dor nos dentes, bruxismo, alterações ósseas ou na articulação têmporomandibular, o que torna necessário um acompanhamento com o dentista ou outros profissionais da área da saúde.

Como é feito o tratamento da neuralgia do trigêmeo?

A primeira linha de tratamento utiliza medicamentos anticonvulsivantes para controle dos sintomas, já que eles são capazes de reduzir as descargas elétricas involuntárias do nervo trigêmeo.

Os remédios mais usados são a carbamazepina, a oxicarbazepina e a gabapentina, com doses progressivas, até que as crises da neuralgia sejam controladas adequadamente e os efeitos colaterais (tonteira, desequilíbrio e redução da capacidade de raciocínio) não se tornem um problema.

A acupuntura, a quiropraxia e outras atividades de relaxamento alternativas também podem ser importantes no tratamento ao ajudarem a controlar a dor crônica em médio e longo prazo. Caso o paciente comece a desenvolver um quadro depressivo em decorrência do impacto da neuralgia sobre a sua vida, o uso de medicamentos antidepressivos também é indicado.

Em casos mais graves, é possível realizar alguns pequenos procedimentos cirúrgicos através da pele, sob anestesia local, com substâncias químicas ou ondas de rádiofrequência, que destroem parte do nervo trigêmeo.

Outra possibilidade é a interrupção do fluxo sanguíneo do nervo por alguns segundos por meio de um cateter inflável, o que já é suficiente para interromper a condução elétrica nas ramificações que perderam a bainha de mielina.

Quando essas cirurgias não são suficientes, é realizada uma cirurgia de maior porte com anestesia geral e abertura da base do crânio para identificação completa do nervo trigêmeo e correção do problema.

Essas cirurgias geram algum efeito colateral?

Como parte do nervo é destruído, há sempre o risco de o dano ser maior do que o desejado e de o paciente perder parte da sensibilidade da pele em regiões previamente saudáveis. Na maioria dos casos, essas perdas de sensibilidade são temporárias ou mínimas e não trazem nenhum prejuízo ao paciente.

É possível prevenir o surgimento dessa doença?

Infelizmente, a ciência ainda não descobriu qualquer forma de prevenção da neuralgia do trigêmeo, já que ainda é necessário pesquisar mais profundamente as causas dessa doença.

Gostou do nosso post? Assine a newsletter do blog e não perca as próximas postagens!